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Como Migrar dos Processos Convencionais para o VPI

A implementação de mudanças de processo dentro da indústria, seja no setor de compósitos ou em qualquer outro segmento, representa um desafio estratégico significativo. Alterar rotinas consolidadas, incorporar novas tecnologias e modificar a forma como a equipe encara a produção exige não apenas investimento em equipamentos e materiais, mas também uma transformação cultural.

Migrar de processos convencionais de moldagem para o VPI é uma decisão estratégica e eficaz para empresas que buscam redução de custos e sustentabilidade na produção de compósitos. Apesar de parecer uma mudança grande, a transição pode ser feita de forma planejada e gradativa, garantindo resultados consistentes e minimizando riscos.

Neste guia prático, mostramos os passos essenciais para realizar essa migração com sucesso.

1. Avalie a Sua Produção Atual

O primeiro passo é entender onde você está hoje.

  • Liste quais peças são fabricadas e por qual processo (laminação manual, spray-up, RTM, entre outros).
  • Identifique os principais pontos de gargalo: excesso de resina, desperdício de fibra, tempo de ciclo, retrabalho ou descarte de consumíveis.


    Esse mapeamento inicial vai mostrar quais peças representam maiores oportunidades de ganho ao migrar para o VPI.

2. Escolha Uma Peça Piloto

Migrar para o VPI não significa mudar tudo de uma só vez. O ideal é começar com uma peça piloto:

– Representativa da sua produção.
– Com alta repetibilidade.
– Nem a mais simples, nem a mais complexa.
– Com volume de fabricação suficiente para gerar dados comparativos.

Assim, é possível validar o processo, treinar a equipe e ajustar detalhes antes de expandir para outras peças.

3. Prepare os Moldes

Se você já utiliza alguma forma de infusão como RTM, RTM Light ou Vacuum Bagging muitas vezes os moldes podem ser adaptados para o VPI.

Mas, se vem de laminação manual ou spray-up, será necessário:

Reparando e Adaptando Aba do Molde para uso em VPI

Adicionar abas e se necessário uma entrada de vácuo, que também pode ser feita na membrana de silicone.

Molde Impresso em 3D Para produção de Peças em Fibra de Vidro

Preparar a superfície do molde para trabalhar em sistema fechado.

Aqui entra o grande diferencial: o uso de contramoldes de silicone reutilizáveis. Eles substituem o filme descartável ou contramolde rígido, garantem repetibilidade, reduzem a 0 o uso de consumíveis e simplificam a operação.

4. Defina os Materiais

Migrar para o VPI não significa mudar toda a sua matéria-prima, mas sim otimizá-la.

Fibra: o uso de mantas com núcleo de polipropileno, como a Flowmat®, é um dos pontos-chave para acelerar a impregnação e reduzir o consumo de resina.

Resina: geralmente as mesmas em base éster já utilizadas, com atenção à viscosidade e aos aditivos.

Desmoldantes: aplicados apenas no molde, já que o silicone é naturalmente desmoldável.

Essa combinação garante previsibilidade e repetibilidade no processo.

5. Treine a Equipe

A maior mudança ao migrar para o VPI não está nos materiais, mas na mentalidade da equipe de produção.

É importante mostrar que:

Cortando Fibra Sobre o Molde, Retirando Rebarba

O corte excessivo de fibra deixa de ser necessário.

Vertendo Resina Sobre um Molde

O uso e o fluxo da resina passam a ser previsíveis e controlados.

A esquerda uma Peça feita com Laminação Manual e a direita uma peça feita com VPI

O retrabalho de acabamento e lixamento reduz consideravelmente.

Promover um treinamento prático em oficina acelera a adaptação, mostrando na prática a diferença entre o processo antigo e o novo.

workshop-first-aula-pratica-tecnologia-contramolde-silicone-first

6. Inicie as Primeiras Produções

Com molde adaptado e equipe treinada, é hora de começar os primeiros ciclos.

Aqui, vale a pena contar com acompanhamento técnico especializado, para ajustar pontos como:

– Entrada da resina.

– Tempo de impregnação.

– Quantidade planejada x consumida de resina.

Esse acompanhamento inicial garante que os resultados sejam rápidos e consistentes.

7. Monitore os Resultados

Cada peça produzida no VPI deve ser comparada com a produção anterior. Avalie:

– Tempo de ciclo.
– Consumo de resina e fibra.
– Quantidade de descarte gerada.
– Qualidade da peça final (peso, presença de bolhas, acabamento superficial).

Documentar esses resultados é essencial para comprovar o ganho real do processo e justificar a expansão.

8. Expanda Gradativamente

Com a peça piloto validada e resultados documentados, a empresa pode criar um cronograma para migrar outras peças.

– Priorize aquelas que têm maior repetibilidade, impacto em custos ou desperdício.
– Adapte moldes gradativamente.
– Consolide o aprendizado da equipe a cada nova peça.

Essa expansão planejada permite que o VPI se torne padrão de produção, transformando os resultados em escala industrial.

Migrar para o VPI não é apenas uma questão de mudar o processo produtivo, mas sim de adotar uma nova forma de pensar a fabricação de compósitos.
Com um planejamento bem estruturado, começando por uma peça piloto, ajustando moldes e treinando a equipe, é possível conquistar uma Redução drástica do consumo de resina e Fibra; Diminuição de descartes e maior sustentabilidade, Padrão de qualidade elevado e repetível, Maior eficiência produtiva.

O resultado é uma produção mais competitiva, limpa e alinhada às demandas atuais do mercado.

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